A Ética faz a diferença

Quando servimos no Comitê de Auditoria de Rotary International, em cada reunião estava em pauta a “compliance” visando conferir não somente a adequação contábil, diante da Receita Federal, como também o comportamento das lideranças e funcionários com o objetivo de corrigir eventuais desvios para se aperfeiçoar a ética em diferentes situações.

A evolução das instituições depende do envolvimento das lideranças, recursos, análise de riscos, medidas disciplinares e principalmente de códigos de ética.

Por vezes escutamos que nem sempre o que é legal pode ser considerado como moral, entretanto, a lei verdadeira expressa a razão e a justiça. É aí que mora o perigo porque às vezes os homens criam leis que favorecem uma imunidade que pode ser a capa para a impunidade. A moralidade deve ser discutida em todos os segmentos e, também, em cada instituição, mesmo naquelas que pregam Deus acima de todas as coisas pois em tudo existe um ponto comum: o homem.

A ética é bem mais abrangente que a moralidade porque cobre todos os comportamentos e teorias morais e é também uma filosofia de vida de uma pessoa.

De acordo com Aristóteles, “ o propósito da ética é descobrir o propósito da vida… as pessoas buscam coisas boas com o objetivo de atingir a felicidade, e o meio de atingi-la (portanto, o propósito da vida) é a virtude… virtude moral não é inata e sim adquirida através do hábito”. Quando se fala em hábito é a mesma coisa que se falar em prática e, ao fazê-lo, o homem mostra seu caráter e sela um destino.

O Rotary é centrado no hábito do servir, de colocar o amor ao próximo em todos os seus projetos, inspirando,
assim, o interesse coletivo acima dos individuais: ” Dar de si antes de pensar em si. ”

Hoje, as lideranças conscientes repelem a naturalização de comportamentos antiéticos, como por exemplo, expressos em ditos populares como “ rouba mas faz”, “tirar dos ricos para dar aos pobres”, “não é propina, é caixa dois”, etc.

Na realidade, todos os países devem objetivar uma administração ética de recursos, melhorar a qualidade da educação e dos serviços básicos para se atingir o propósito da felicidade dos cidadãos: tudo isto depende de um primeiro passo chamado de ética dos dirigentes.

A cada dia agradecemos àquele momento em que recebemos o convite para ingressar em Rotary pois muitas de nossa s virtudes foram enriquecidas através do convívio com rotarianos de escol. Centenas já morreram, mas muitos outros continuam vivos repetindo como um mantra, como um hábito: “ É a verdade, é justo para todos os interessados? ”.

Para cada associado, a permanência dentro do Rotary selou um destino e um propósito de vida: a ética faz a diferença.

HIPÓLITO FERREIRA
Diretor de RI 1999/01
Presidente da ABTRF 2013/16