Liderança e Humildade

Pierre Weil definiu em seu livro Relações humanas na família e no trabalho que “líder é todo o indivíduo que, graças à sua personalidade, dirige um grupo social, com a participação espontânea dos seus membros”. Esta definição, exposta pelo respeitável mestre há algumas dezenas de anos, ao falar em espontaneidade, deixava claro que, se houver coação, prepotência, não há liderança.

Sendo assim, o saudoso educador e psicólogo francês que residiu no Brasil já evidenciava nas entrelinhas de sua enunciação o ingrediente humildade, ou seja, a virtude do líder em distinguir as suas próprias deficiências e buscar removê-las sem menosprezar o próximo.

A humildade identifica-se, também, no “saber ouvir”. Aquele ou aquela que não ouve não é líder.

Como é que se pode aferir a capacidade, o potencial de seus liderados, sem conhecer suas ideias, suas angústias, seus sentimentos? Ouvir é uma arte e o líder tem que ser um artista no sentido nato da palavra, no caso um artífice da comunicação que saiba, inclusive, ouvir os sentimentos oriundos da alma de seus colaboradores.

Gamaliel Noronha
Governador 2004-05